Obrigado, Logan!

14 de mar de 2017

Estamos na era dos filmes de heróis. Uma grande batalha entre as gigantes dos quadrinhos (Marvel e DC Comics). Elas construíram um momento no qual os líderes de bilheteria todos os anos são os filmes de seus personagens. A Marvel vem liderando essa disputa, mas ela por si só passa, há anos, por uma espécie de disputa interna devido aos direitos cinematográficos de alguns de seus heróis. Dentre esses (tal problema dos direitos cinematográficos fica pra outro post) está o grupo que liderou as vendas de revistas em quadrinhos nos anos 80 e 90, os X-Men. Acontece que os direitos dos mutantes atualmente pertencem à Fox.


O ano de 2016 nos trouxe o que foi uma das maiores e mais gratas surpresas em relação aos filmes baseados em histórias em quadrinhos com Deadpool (outro personagem que tem seus direitos cinematográficos ligados à Fox). Quando digo surpresa, não digo por duvidar da qualidade do Mercenário Tagarela em si, mas por duvidar da ousadia dos produtores em realmente fazer algo que trouxesse a essência de Wade Wilson, com muita violência e uma grande pitada generosa de humor negro. Mas as dúvidas se foram após assistir o espetáculo que foi o filme. Isso foi a segurança necessária para que a empresa produzisse outros filmes +18.
Mas vamos voltar ao que realmente importa... Em 2000 foi lançado o primeiro filme dos X-Men, já trazendo Hugh Jackman, que estava apenas em seu terceiro filme, na pele do Wolverine. O filme contava com grandes estrelas em seu elenco, como Patrick Stewart (Prof. Xavier), Ian McKellen (Magneto), Halle Barry (Tempestade) e Famke Janssen (Jean Grey). Com um orçamento de apenas US$75 milhões (sim, isso é um valor baixo, principalmente se tratando para um filme de super-heróis), o filme conseguiu fazer algo “decente”. Não foi nenhum espetáculo, mas importante para dar o pontapé inicial para os mutantes na telona.


X-Men 2, lançado em 2003, conseguiu manter a qualidade do primeiro filme. O problema veio depois disso, a partir de X-Men: O Confronto Final (o pior filme de toda a franquia X-Men, talvez de todos os filmes de herói). Dali em diante, mudanças na direção, uma linha cronológica que é uma gigantesca confusão e nem mesmo seus roteiristas são capazes de explicar e outros problemas fizeram com que os filmes dos mutantes já fossem sempre uma quase certeza de roteiro fraco e filme pouco empolgante. Para piorar, houveram os spin-offs X-Men: origens Wolverine e Wolverine: Imortal. Filmes que foram grandes piadas com o carcaju e deram profunda tristeza aos fãs do herói. Até que chegamos ao fatídico 20 de outubro de 2016, data do lançamento do primeiro trailer de Logan...


Daquele momento em diante, era possível dizer que a história do mundo poderia ser definida em Pré-Logan e Pós-Logan. Claro que todo o passado de filmes relacionados aos X-Men criavam um ceticismo gigantesco em relação ao filme, mas era quase impossível não se empolgar com aquele trailer, com Johnny Cash cantando Hurt quase que narrando o trailer, com aquelas frase de arrepiar, como “Charles, the world is not the same it was” proferidas por um Logan melancólico e sem esperança... meu coração quase não aguentava de ansiedade para o lançamento daquele que redefiniria a imagem do Wolverine, ou melhor, do Logan, que temos em relação aos filmes. Assim como foi com Deadpool em relação a Ryan Reynolds, era enorme a satisfação em relação a Hugh Jackman pela vontade e empenho do ator em fazer algo que ficará marcado para sempre, mesmo que em seu caso seja seu último filme.
Após a estreia de Logan, em 3 de março de 2017, veio a certeza de Hugh Jackman pode, com toda a certeza, ser chamado de um herói. Pelo lançamento ainda recente, não vou dar spoilers e farei, daqui algumas semanas, uma review sobre o filme em si. Mas minha vontade após assistir ao filme era juntar as lágrimas e dar um abraço de agradecimento como fã em Hugh. Não posso nem chamar de “atuação” o que ele fez, pois foi um incrível espetáculo. É óbvio que o mérito não é só do ator australiano, e claro que o roteirista James Mangold e o produtor Simon Kinberg também merecem agradecimentos eternos, pois posso dizer que, em minha humilde opinião, esse foi o melhor filme baseado em personagens de quadrinhos de todos os tempos. Um filme que capta a essência de alguém que outrora fora chamado de herói, e hoje é apenas alguém angustiado que luta pela sobrevivência... por sua sobrevivência e pela de alguém que lhe dera a única oportunidade de se sentir em casa, alguém que quase poderia chamar de pai. Um ser amargurado que busca fugir de seu passado esquecendo do futuro em que vive. Um filme que mexe com o coração até dos menos envolvidos com a história (o que é quase impossível).


As atuações de todos foram excelentes, os personagens cativantes, a história foi um final digno. Digno para um ator de qualidade, para um herói dos quadrinhos e para uma saga. É claro que teremos muitos outros filmes dos X-Men e talvez outro(s) atores interpretando o Wolverine, mas jamais nos esqueceremos de Hugh Jackman; jamais nos esqueceremos de Logan. Filme para se guardar pra sempre, para sentir alegria de ter assistido, para chorar assistindo e se lembrar pra sempre. Voltarei a falar do filme, relatando minha opinião sobre tudo (contando spoilers), mas por agora não quero tirar dos outros a sensação única que foi para mim quando assisti essa maravilhha do cinema, algo que não se pode explicar, apenas sentir. Por isso, por hora, só posso dizer uma coisa... “Obrigado, Hugh Jackman! Obrigado, Logan!”.

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